Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta recordações

RECORDAÇÕES|"Iconolator" - The Astonishing Urbana Fall

Hoje, só um disco assim me faria escrever mais que uma dúzia de linhas. Na realidade, só um disco assim me faria despir a preguiça que trago hoje no corpo. Colectivo barcelense formado em 1995, os The Astonishing Urbana Fall foram indubitavelmente uma das propostas mais cativantes da música alternativa portuguesa da década de 90. Na verdade, custa a acreditar - até a aceitar - que se tenham quase sublimado, sem deixar rasto. Quase; como acontece em todas as histórias felizes, alguns anos mais tarde, acabariam por renascer nos La La La Ressonance . Bem, mas antes disso e depois de "Acetaminophen" (1997), "Iconolator"... E não; não é brincadeira ou exagero, considerar este "Iconolator" um dos discos mais interessantes e importantes do ano de 1998 - estendendo-se mesmo para lá deste. Sem alinhar em cânones estilísticos previamente imaginados, "Iconolator" é desde logo uma bomba sonora , plena de criatividade e fortes sensações. É disso que se fala

RECORDAÇÕES|"Que Nunca Mais" - Adriano Correia de Oliveira

"Tejo que levas as águas correndo de par em par lava a cidade de mágoas leva as mágoas para o mar Lava-a de crimes espantos de roubos, fomes, terrores, lava a cidade de quantos do ódio fingem amores" (" Tejo que Lavas as Águas "; letra de Manuel da Fonseca) "Disco é Cultura" - lê-se na contracapa do vinil; disco é história! O importante no dia de hoje, mesmo, é que se assinalam os 25 anos sobre a morte de Adriano Correia de Oliveira; contava apenas 40 - nasceu no Porto em 9 de Abril de 1942. Disco de referência da música popular portuguesa, da música de intervenção , "Que Nunca Mais" teve arranjos e direcção musical de Fausto e textos de Manuel da Fonseca. Entre os convidados, encontram-se ainda nomes como os de Júlio Pereira e Carlos Paredes, entre muitos outros. Terminado em 1973, só com o advento da revolução o disco levaria um novo e decisivo impulso, levando mesmo o artista a ser premiado em 1975 pela revista britânica “Music Week”. No

RECORDAÇÕES|"Na Vida Real" - Sérgio Godinho

"Na vida real as aparências estão do outro lado do espelho na vida real não me assemelho à simulação das evidências" ("Na Vida Real") Às vezes calha assim. Calha mesmo. Olha-se pel'a trompa abaixo e vêem-se nomes como Quarteto 1111, Adriano Correia de Oliveira, Brigada Victor Jara e agora, aqui, Sérgio Godinho. Calhou. Nomes que são já história... Não é nome que pare por aqui muitas vezes; não que não goste ou que não mereça - muito, muito pelo contrário, mas por achar que não há muito mais para dizer sobre a enormidade da obra de Sérgio Godinho. Ou melhor, outros dirão mais e muito melhor, sem dúvida. Daí que, efectivamente, não tenha nada de especialmente novo para dizer, senão que andei nos últimos dias às voltas com "Na Vida Real" (PolyGram, 1986; reed. Universal, 2001). Extraordinário. Disco de viragem na música de Sérgio Godinho, sobre o mesmo Nuno Galopim diz no texto que introduz a sua reedição, que "assume uma certa entrega de Sérgio G

RECORDAÇÕES|"Ocidental Praia" - Ficções

Da mesma forma que os dias correm uns atrás dos outros, diferentes, também as sensações que se procuram, por aí, divergem; um pouco como as diferentes tonalidades que dão côr à música que nasce por cá. Anteontem, parei-me em Alexandre Soares e Jorge Coelho, ontem, foi um regresso às Ficções; tanta e tanta coisa há para descobrir por aqui. E não, não é ficção, é a mais pura realidade. Grupo formado em Lisboa em 1998, liderado por Rui Luís Pereira (Dudas), os Ficções tiveram na sua história já múltiplas formações. Nessa história, "Ocidental Praia" é exactamente o terceiro disco, um registo lançado em 2001 numa edição de autor; depois de "Aqua" (PolyGram, 1992) e "Zambra" (PolyGram, 1995). Neste disco, Rui Luís Pereira (guitarra e alaúde) fez-se acompanhar de João Paulo (piano), Perico Sambeat (saxofone e flauta), Yuri Daniel (baixo) e Alexandre Frazão (bateria). Para já e sendo responsável por toda a composição do disco - excepto o 3º tema, Rui Luís Pereira

RECORDAÇÕES|"Foge de Ti" - Lulu Blind

O tempo é de recordar... No rolar e rebolar habitual por entre o amontoado de bolachas espalhadas pela sala, acaba-se por esbarrar - com facilidade - em coisas que já não se ouviam há algum tempo. Está bom de ver, este "Foge de Ti" é um desses exemplos. Formados no final da década de 80, só no início dos anos 90 os Lulu Blind começaram a soltar cá para fora parte da sua energia - com boa disposição. Após as edições de "Dread" e "Blast!", "Foge de Ti" foi o terceiro e último álbum do grupo liderado por Tó Trips. Composto por 10 faixas - mais uma escondida, "Foge de Ti" foi uma aposta séria quer dos próprios Lulu Blind, quer da editora que os apadrinhou nesse risco - falamos da NorteSul. Como expressão do rock alternativo - duro - respirado pela banda lisboeta, a banda passou neste a expressar-se em português; ao contrário dos discos anteriores, compostos por temas em inglês. Infelizmente, a experiência não correu como previsto e o grup

RECORDAÇÕES|"No Castelo de Chuchurumel" - Chuchurumel

Não deu para resistir. Antes de passar à "Posta Restante", novo disco dos Chuchurumel - que aparecerá por aqui um dia destes, apeteceu-me voltar a este "No Castelo de Chuchurumel". Não que seja um disco assim tão antigo que mereça já ser recordado, nem tão pouco - sequer - por ser um disco definitivo - que não o é; serve apenas para lembrar que antes da nova e bela posta , outras experiências houveram no castelo de César Prata e Julieta Silva. Para quem ainda não sabia e ficou deliciado com a "Posta Restante", houve antes um "No Castelo dos Chuchurumel", primeiro disco do duo. Uma proposta de exploração estilística que desembocou em 2007 na tal posta . É um disco de experiências, sonoras, de caminhos, de afinar agulhas. Numa proposta centrada na recolha de temas tradicionais portugueses - distrito da Guarda, assim como na criação de alguns originais, cruzadas com populares cantilenas, este castelo deixava já antever o nascimento de um dos proje

RECORDAÇÕES|"Vida (Sons do Quotidiano)" - José Cid

Já em tempos iniciei um post sobre José Cid; iniciei...entretanto, a leitura da "A Arte Eléctrica de Ser Português" voltou a dar-me algum fôlego para escrever algo sobre essa figura camaleónica, inconstante, às vezes inconsequente, paradoxal mas absolutamente central no lançamento do rock feito em Portugal. Como muitos, só o soube algum tempo depois, as primeiras recordações do artista têm mais a ver com cabanas, Anitas, portuguesas bonitas, macacos e outros que tais. Adiante... Ontem, recordei "Vida (Sons do Quotidiano)", um EP conceptual lançado em 1977, uma espécie de ensaio para a obra-prima do rock progressivo que surgiria no ano seguinte:"10.000 Anos Depois Entre Vénus e Marte" (Orfeu, 1978). No seguimento, em termos estéticos, do extraordinário "Onde, Quando, Como, Porquê, Cantamos Pessoas Vivas - Obra-Ensaio de José Cid" (Decca, VC, 1974) do Quarteto 1111, surge "Vida" (Sons do Quotidiano), um tema de 12 minutos, dividido pel

RECORDAÇÕES|"Sit On My Soul" - António Olaio & João Taborda

Já foi há algum tempo. Já. Entretanto, fui de novo caçado por "Bambi is in Jail". Bem caçado. O tema de abertura não parece tão marcante - dá nome ao álbum, mas "Bambi is in Jail", caçou-me. "What Happened to Henri Matisse", continua - e bem - este recambolesco puzzle musical. António Olaio, o repórter mais estrábico de todos - noutros tempos, o artista plástico que também é músico. Letrista. Depois, João Taborda, o investigador científico de biologia celular e molecular que também é músico. Compositor. Assim nasceu a dupla António Olaio & João Taborda. Segundo álbum de António Olaio & João Taborda, lançado depois de "Loud Cloud" (Lux Records, 1996), "Sit On My Soul" é mais uma daquelas pequenas pérolas mais ou menos esquecidas ou ignoradas. Nada de muito complexo; uma guitarra, uma voz e pouco mais - aqui e ali, também há piano, trompete, clarinete, sax, violino, etc. Mas porque a complexidade não é realmente tudo, é o giganti

RECORDAÇÕES|"Corações de Atum" - Doutor Lello Minsk & Maestro Shegundo Galarza

Isto é coisa séria. Sim, não parece, mas isto é realmente uma coisa séria. Ou talvez não. Na verdade, estes "Corações de Atum" serão sempre uma coisa séria no mundo de Lello Minsk; no mundo de Manuel João Vieira. Numa misto de recordação e boa disposição, ontem foi noite de uma volta pelos "Corações de Atum" do Doutor Lello Minsk e do Maestro Shegundo Galarza. Foram momento de boa disposição. Muita. São sempre momentos de boa disposição, os momentos passados na companhia do grande Manuel João Vieira; músico, pintor, artista plástico e projecto de político. Seja com os Ena Pá 200, seja com os Irmãos Catita, seja quando embrenhado nestes "Corações de Atum", com Manuel João Vieira a festa é garantida. A ironia e o humor são os mesmos, a diferença parece estar na seriedade com que o eterno candidato a presidente da populaça parece querer cantar. Chega a parecer verdade. As letras, essas...são história. Com uma orquestração séria do saudoso maestro Shegundo Ga

RECORDAÇÕES|"100 Anos de Maio" - Vários Artistas

"A Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT), no seu primeiro congresso realizado em 1886 em Genebra, fixou as '8 horas como limite ao dia de trabalho'". Sem esquecer algumas tentativas anteriores, radica-se aqui a origem da luta organizada do proletariado mundial pela redução da jornada de trabalho que era então de 14, 12 e 10 horas na indústria e no comércio, e de sol a sol na agricultura." (lê-se na contracapa do 2LP) É o dia certo... ...o dia certo para recordar uma das mais interessantes compilações que algum dia pude ouvir. Chama-se "100 Anos de Maio", é um duplo vinil editado 1986 pela CGTP-Intersindical e pretendia, no ano em que foi editada, comemorar o centenário do 1º de Maio - está bom de ver. São tantos e tantos, os nomes. São tantas e tantas, as canções; sempre o mesmo desejo, o mesmo sonho: a liberdade, a democracia, os direitos do trabalhador. Realidade. Vontade. Respeito. São muitos os motivos de interesse, alguns, até inédit

RECORDAÇÕES|"Diálogos de Bateria" - Tim Tim por Tum Tum

Novas linguagens...reza a lenda, terão nascido em 1996 após um workshop com Max Roach na Gulbenkian. Tim Tim por Tum Tum; assim foram baptizados. 1997. "Diálogos de Bateria" é um disco sui generis ; primeiro porque nasce de uma forte interação entre quatro grandes bateristas da nossa praça (José Salgueiro, Alexandre Frazão, Marco Franco e Acácio "Salero" Cardoso aquando da gravação), e em segundo, porque o resultado é qualquer coisa de delicioso. Melodicamente algo limitado, é verdade, "Diálogos de Bateria" não vive apenas da percussão e da bateria, este vive ainda e bem, de pequeníssimos pormenores de sopros, concertinas e afins. Na prática, lá, tudo serve para fazer brotar o som. É uma experiência diferente. Disco gravado em ensemble no Centro Cultural da Malaposta - Odivelas - a arte dos Tim Tim por Tum Tum é uma aventura na qual podemos entrar de olhos fechados - de consciência. Contando ainda com a participação do baterista norte-amaericano Jim Blac

RECORDAÇÕES|"Chão Nosso" - Trovante

" Resiste Semeia pés-raízes na terra mãos de foice e frutos Conquista Avança flecha de fogo a madrugar horizonte " ("Muralha de Ombros") Não será porventura o melhor disco do Trovante, é certo - "Baile no Bosque" (1981) é grande, parece maior, no entanto, não deixa de ser também esta uma peça importante, quanto mais não seja por ser o primeiro álbum do histórico grupo. Fundado em 1976, neste disco formado por João Nuno Represas - percussão, flautas e voz, Luís Represas - viola, bandolim, percussão e voz, Manuel Faria - piano, sintetizador e voz - e João Gil - viola, bandolim, percussão e voz, o Trovante tem em "Chão Nosso" (1977) um documento bem característico do tempo que o fez nascer. É um documento fortemente marcado pelo seu carácter de intervenção política - quase óbvio naqueles tempos. Por outro lado, é através da música tradicional portuguesa que o Trovante procurou dar cor aos poemas que Francisco Viana um dia criou - e tão bem

RECORDAÇÕES|"Kings of our Size" - Pinhead Society

A magia do espírito indígena está de regresso à trompa...lá do fim da década de 90. Para reavivar esse espírito, inclinei-me para "Kings of our Size", uma pequena doçura desse Portugal perdido pelo fim do milénio; disco perdido algures entre as edições do ano de 1998 - perdido não, certamente. Corre-se "Kings of our Size" de uma ponta à outra e o sentimento de surpresa, com tamanha sinceridade, tamanha ingenuidade provocada por uma juventude cheia de vontade e sangue na guelra, é indesfarçável: bons momentos com Pinhead Society. De existência meteórica como tantos outros projectos da moderna música portuguesa, os Pinhead Society foram - infelizmente - pouco mais do que um ar que se lhes deu; cheio, intenso, promissor, do nascimento à edição, daí à extinção, quase sem se dar por ela... Apenas com este álbum editado (mais uma cassete pela Bee Keeper e o CD-S da caixa "Tripop", repartida com os Azul em Chamas e os Monsterpiece - pelo menos), os Pinhead Socie

RECORDAÇÕES|"Somos o Mar" - Beatnicks

A trompa em novo regresso ao passado. Num daqueles regressos que, ainda que efémeros, nos oferecem uma particular sensação de prazer. Mais rock, pré- boom . Não foi uma existência pacífica, a dos Beatnicks. Com uma história de sobrevoa as décadas de 60, 70 e 80, a banda seguiu durante esses anos uma diversidade de abordagens estéticas - em inglês, em português ou apenas empurrados pela conjunctura. Em resumo, hoje, apeteceu-me regressar ao rock progressivo nacional. Com uma existência que começa em 1965 e só termina no início da década de 80 e da qual Lena D'Água também fez parte, os Beatnicks teriam quase só por isso o seu merecido lugar na história da música moderna portuguesa - agitada existência. O motivo da conversa de hoje chama-se "Somos o Mar", single lançado em 1978 pela Alvorada/Rádio Triunfo; uma pequena e boa recordação. Formados na altura - porque foram várias as formações dos Beatnicks - por Luís Araújo na bateria, Ramiro Martins no baixo e nas cordas, An

RECORDAÇÕES|"White Traffic" - Go Graal Blues Band

O blues-rock é hoje uma realidade bem viva no panorama da música moderna portuguesa. Seja porque existe um The Legendary Tigerman, seja porque existem uns Nobody's Bizness ou uns Born a Lion - entre outros, a verdade é que este é um género cada vez mais amarrado ao firmamento das novas sonoridades lusas - nascidas ultimamente, diria. Foi no seguimento desta ideia, que me dispus a recordar um dos expoentes máximos do género em Portugal; não de hoje, de há 25 anos atrás, mais coisa menos coisa, entenda-se. Peguei em "White Traffic" da Go Graal Blues Band. Corria o ano de 1975 quando Paulo Gonzo, João Allain e alguns amigos, formaram a Go Graal Blues Band, fenómeno importante do movimento roqueiro nacional do fim da década de 70, início da década de 80; pouco comum na altura, a cantar em inglês e com algum sucesso. Com um line-up algo instável, a aventura discográfica da Go Graal Blus Band começa em 1979 com o homónimo "Go Graal Blues Band", registo lançado pela

RECORDAÇÕES|"As Mãos, O Melhor de António Pinho Vargas" - António Pinho Vargas

De tempos a tempos, cai-me nas mãos um daqueles artistas que só por mero acaso e alguma injustiça nunca apareceu por este espaço. António Pinho Vargas é claramente um desses casos. Compositor e músico talentoso, completo e multifacetado, António Pinho Vargas é um dos músicos mais importantes - e respeitados - da cena contemporânea actual. Nascido em 1951 em Vila Nova de Gaia, a música de António Pinho Vargas viajou do jazz - no início de carreira com os Zanarp, Abralas e outros - à paixão dos dias de hoje pela música erudita contemporânea - pelo meio, a típica aventura rock, consubstanciada - por exemplo - na sua passagem pela Banda Sonora de Rui Veloso. Em "As Mãos, O Melhor de António Pinho Vargas", compilação organizada pelo próprio e por Jorge Mourinha, o motivo de prazer é a sua fase Jazz. São onze temas dos seus seis álbuns anteriores ("Outros Lugares" - 1983, "Cores e Aromas" - 1985, "As Folhas Novas Mudam de Cor" - 1987, "Os Jogos