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OLHARES|"Farewell" - Sean Riley & The Slowriders

A abrir caminho; tal como os próprios o pensaram, também nós o sentimos ao ouvir "Farewell", o disco de estreia dos Sean Riley & The Slowriders. Não é sequer uma surpresa, quer na sua generalidade, quer na sua especificidade. Na sua generalidade, porque é uma homenagem sentida e honesta a alguns dos maiores songwriters de sempre deste planeta - podem escolher um, dos melhores; na sua especificidade, porque faz algum tempo que se sabia ao que vinham - primeiro, Coimbra, depois, o mundo. Há uns tempos atrás, dizia por aqui que "Farewell" tinha um "jeito de folk-rock requintado, a espreitar deliciosamente um blues ". É isso, com toda a simplicidade do mundo, o que nos oferecem Sean Riley, Bruno Simões e Filipe Costa. Mas o que fica de "Farewell", para além de um azimute bem apontado à América do Norte? Basicamente, ficam três ideias importantes, que deixam os Sean Riley & The Slowriders na mira de um futuro cintilante. Fica o excelente trab...

OLHARES|"Blaupunkt Blues" - António Olaio & João Taborda

Onze anos depois de "LoudCloud" (LUX Records, 1996) e sete após "Sit On My Soul" (LUX Records/NorteSul, 2000), a dupla António Olaio e João Taborda regressa ao firmamento com um novo disco. Não seria obrigatoriamente algo de relevante, não fossem António Olaio e João Taborda aquilo que são - e o que já fizeram; um artista plástico e um investigador científico com uma paixão inabalável pelas coisas da música. E isso vê-se; sente-se. O novo disco chama-se "Blaupunkt Blues", teve produção de Pedro Renato (Belle Chase Hotel, Azembla's Quartet) e é composto por um conjunto de 15 novas canções. E nem aqui, as novidades seriam particularmente interessantes, não fossem estas, canções no verdadeiro sentido da coisa; pedaços de mensagens sonoramente coloridas, com início, meio e fim, com coração. Como nos vêm habituando, são os diferentes momentos, os diferentes casos e ocasos proporcionados pela diferenciada representação de Olaio, assim como pela desarmante ...

OLHARES|"Party Killer?!" - Woman_In_Panic

Dia 1 foi o dia; o tal dia de festa. Foi finalmente possível conhecer um pouco melhor o que tem vindo a preparar nos últimos anos, Pedro Gabriel Lourenço. Sim, finalmente, porque as ameaças foram várias e óbvias e deixavam antever um disco com grande feeling . À tal dúvida, o músico respondeu com "Party Killer?!", registo disponível desde 1 de Dezembro, na sua versão integral (15 temas), nas lojas digitais iTunes, Emusic e Napster. A primeira edição do disco será oferecida na compra do número de Dezembro da revista DanceClub; tudo, fruto de uma parceria entre Woman_In_Panic, a GroundZero Records e a revista DanceClub. Ricas parcerias... Sobre "Party Killer?!" a visão é claríssima. Assente num compromisso visível entre o rock das guitarras e voz, e a electrónica do ritmo, do balanço e da agitação, Woman_In_Panic é a mais recente e estimulante proposta do electro-rock nacional. A sério, mas não é só isso. Consideravelmente atenta ao formato canção, a música de Woman...

OLHARES|"Sol" - Stockholm Lisboa Project

É extraordinário. Se dúvidas houvesse sobre a universalidade de uma linguagem musical, diria que tais hesitações sairiam destroçadas logo após a primeira audição de "Sol", álbum de estreia do grupo Stockholm Lisboa Project (SLP); por todos os motivos e mais alguns. Se só de pensar em algo que una países tão distantes como Portugal e Suécia já lhe soa a estranho, imagine agora se lhe dissessem que até podem ter tudo a ver. E se lhe perguntassem como podem dois povos tão diferentes, articular de forma tão surpreendente a música das suas terras. A resposta seria apenas uma: Stockholm Lisboa Project; uma ideia firmada numa fusão de duas culturas oferecida ao sol pelo manuseio perfeito dos diferentes instrumentos, assim como pela impressão distinta da voz da fadista Liana. Tudo parece estar certo no lugar certo. Alguns minutos depois; será sempre uma ideia estranha, no entanto, é igualmente essa a ideia que mantém acesa a chama da curiosidade, a veia por onde corre o sangue da sin...

OLHARES|"Première" - Qwentin

Misteriosos, enigmáticos, apenas Qwentin. A banda do Cartaxo lança hoje o seu esperado álbum de estreia; "Première" de seu título. Devorado que foi o disco - era muita a curiosidade, de 12 temas - também chamados de curtas-metragens - cantados ou narrados em castelhano, inglês, francês, italiano, português, holandês e esperanto, a dúvida mantém-se intacta. Melhor, adensa-se o mistério reinante há muito em volta do quinteto ribatejano. Mas quem são os Qwentin? A resposta não é fácil, no entanto, a mais simples das versões diz que são um quinteto do Cartaxo formado pelas estranhas figuras de Drepopoulos Qwentinsson (baixo), Gospodar Qwentinsson (guitarra e voz), Morloch Qwentinsson (programações e teclados), Qweon Qwentinsson (guitarra e voz) e Bárány Qwentinsson (bateria). Muito bem. Formados em 2003, e já com os EP "Il Commence Ici" (2004) e "Uomo-Tutto" (2005) no bornal, os Qwentin têm se lançado numa torrente criativa que mistura ao vivo a música com a p...

OLHARES|"Letters From the Boatman" - a Jigsaw

" São cartas de um barqueiro que se vão desvendando, relatos matizados pela inspiradora veia folk-rock-blues de um trio visivelmente amadurecido. Não são apenas as histórias - duas mais duas, são os arranjos que nos vão deixando naturalmente à coca...intimistas, perdidos pela vontade acústica de sempre, estas são as primeiras cartas de um barqueiro à deriva, mas com tanto e tanto para dizer (...) às vezes mais folk, outras vezes mais rock. " ( 1 ) Por esta altura não sonhava ainda com o que por aí vinha. Na verdade, apenas imaginava que algo de muito prazenteiro se aproximava - mas apenas imaginava. Posto isto e passado algum tempo, ouvido várias vezes este "Letters From the Boatman", fiquei com a certeza que o grupo de João Rui (voz, guitarra acústica, harmónica, banjo e bandolim), Jorri (baixo e percussões) e Susana Ribeiro (violino, gloken, melodica e harmonium), estava mesmo de parabéns. "Letters From the Boatman" é um disco de 14 cartas musicadas, 14 ...

OLHARES|"Atraso" - BiarooZ

Há dias em que tudo parece fazer sentido; em que tudo se encaixa. Hoje, só poderia dar em "Atraso", o recente disco dos barcelenses BiarooZ. Composto por 10 temas e lançado numa edição limitada a 500 unidades - ao mesmo tempo que é disponibilizado a título gratuito, "Atraso" é um disco feliz. Não porque seja algo de uma arrebatadora originalidade, mas simplesmente porque é uma experiência feliz; com toda a simplicidade que uma experiência musical realmente feliz pode ter. Há dias, dizia por aqui que atraso é uma " experiência sonora ampla, musicalmente ambiental, flutuante, de electricidade contida "; e que vivia de " uma singeleza encantadora, de um prazer instrumental "; de uma beleza simpaticamente gratuita - sempre no bom sentido. Mas voltando às 10 peças de "Atraso", estas são uma experiência vagueante, prostrada em cenários relaxantes, que a todo o momento se impõem pela sua forte carga ambiental. Na experiência do toque, dos peq...

OLHARES|"Rude Bwoy Stand" - Bezegol

É um disco daqueles...à primeira não nos toca; à segunda já coça e à terceira não nos larga. Álbum de estreia do matarroês Bezegol, "Rude Bwoy Stand" é uma agradável surpresa. Uma interessante experiência sonora, desde logo pela vibração que trespassa pelas 15 faixas do disco - incluindo o tema bónus, interpretado pelos seus MatoZoo. Alicerçado na experiência de Bezegol como MC, DJ e produtor, "Rude Bwoy Stand" não deixa cair nenhum dos seus capítulos nas malhas de uma banalidade repetitiva. Faz por isso e com competência. Centrado num eixo que viaja do reggae ao hip-hop , sempre mais centrado no primeiro, Bezegol não deixa nunca de espreitar e explorar novos objectos, como é o caso da guitarra portuguesa de Aires no tema "Let Them Know!" - Excelente. Na verdade, é com o reggae que Bezegol se afirma, concludentemente, oferecendo-nos temas como "Rude Bwoy Stand" ou "Fire"; não esquecendo ainda a ameaça feita há já algum tempo atrás co...

OLHARES|"Cooltrain Crew RMX's 2000-2006 - Southeast D'N'B Flavas" - CoolTrain Crew

Hoje ; sim, também é hoje. Hoje também é dia de CoolTrain Crew, alguns anos depois de agitadas noites no Bairro Alto. Chega hoje às lojas a compilação de remisturas da CoolTrain Crew, disco com temas dos Taxi, Blind Zero, Blasted Mechanism, Da Weasel e Prince Wadada, entre outros. Com uma existência que se estende já desde 1995, composto então por um colectivo de DJ's, músicos, produtores e outros (Johnny, Tiago Miranda, Nuno Rosa, Dinis, Rui Murka e Vítor Belanciano), a Cooltrain Crew é hoje formada por Johnny - o único fundador, Kalaf, Lil'John, Riot e Alx. Depois, olhando para o todo do esperado "Southeast D'N'B Flavas", somos levados por uma sensação forte e enérgica, bem a expressão do espírito festivo deste colectivo dinamizador da onda drum'n'bass em Portugal. Duro e batido... É tudo como uma onda; uma onda transformadora levada até onde nos leva a curiosidade. É isso que a CoolTrain Crew nos faz, estimula-nos a curiosidade, levando-nos de seg...

OLHARES|"The Ballad of The Stark Miner" - Sandy Kilpatrick

Há sete anos a viver no norte de Portugal, o escocês Sandy Kilpatrick oferece-nos, finalmente, um sucessor para “Incandescent Night Stories” (Zona Música), álbum lançado em 2005 com os The Neon Road. A pergunta que se impõe: Então e "The Ballad of The Stark Miner"? Olhando fundo, parece daquelas pequenas criações que acabam por ficar maiores do que alguma vez pensámos poderem vir a ser. Nascido de um convite de André Tentúgal para a criação de uma banda sonora para a sua curta-metragem "Finally I am no-one", "The Ballad of The Stark Miner" acabou por crescer quase magicamente para lá disso. Nada se perde na sua essência, muito pelo contrário: a energia de canções simples e puras; de composições pessoais, fortemente intimistas; da poesia dita e cantada ou apenas em movimento; da beleza crua de umas ondas que se espreguiçam eternamente pela areia. É o que o EP "The Ballad of The Stark Miner" é; um conjunto de singelas e belas composições interpret...

OLHARES|"Alzheimer" - Alzheimer

" Tudo começou numa bela passagem de ano festejada na praia…o escuro, a areia, o som do mar, a inspiração surgiu naturalmente e resultou num acústico que nos deixou com sede de mais ( 1 )." Alzheimer é parte dessa sede, já saciada. Mas é também a secura de um projecto lisboeta de rock instrumental, de uma pujança sónica nascida de um powertrio composto por João Lajoso (baixo), João "Kintas" Quintaneiro (bateria) e Tiago Eira (guitarra). O álbum, composto por 15 temas divididos em duas partes - "Ideação Paranoide" e "Beta - Amiloide", é uma experiência nascida da crueza da guitarra, bem amparada pelo baixo e pela bateria. Gravado num só take , este registo é já um interessante argumento de rock alternativo, experimental, daquele que nasce de uma guitarra a esvair-se, enquanto as coisas do ritmo a tentam aconchegar. Se em "Ideação Paranoide" a vontade é de rasgar, arrancar a todo o gás por aí, despertando as mais fortes sensações, já e...